quarta-feira, 29 de maio de 2013

Digno perdedor

Preciso de um abrigo
Para minha humilde solidão 
Não que eu esteja em perigo
Ou queira proteger minha aptidão 

Talvez a famosa guerra 
Seja apenas interna 
Cansado de levar surra
De alguém mau das pernas

Vencer é um paradigma 
De quem só respeita dogmas
Quando marcam as cartas
O nó da vida nunca desata 

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terça-feira, 28 de maio de 2013

Cabeça erguida

Conecto-me ao sol
Ele é a fonte
Não preciso de formol
Pra driblar a morte 

Sei que os astros
Naturalmente sucumbem 
Alguns deixam rastros 
Outros nos unem

Infinitas vias 
Incontáveis versos
Tudo se alivia 
Mesmo sendo intenso

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segunda-feira, 27 de maio de 2013

Açougue

Não me contento
Com os tais excessos
De posições sem contexto
Ou linguajar escasso 

Já que as diretrizes 
De uma postura inquestionável
São tangidas pelas cicatrizes 
Não tão colecionáveis 

Mas são fundamentais 
Pra a desordem da alma
Que causam problemas renais 
E mantém o vício do trauma

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sexta-feira, 24 de maio de 2013

Queda livre

Há uma linha sutil 
Entre as opções escassas 
Posso parecer infantil 
Quando a comunicação cessa  

Quero enxergar além 
Sem vulgarizar os problemas
Não sou do tipo que diz amém
Em discussões sem temas 

Algumas vezes oscilo 
Noutras sou sensatos 
Assumo meus vacilos
Mas não desço do salto

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segunda-feira, 20 de maio de 2013

Corta clima

Nem toda prosa
Que se mostra definitiva 
Torna meu mundo cor de rosa 
Tampouco me cativa 

Já que as flores 
Tem cheiros coloridos 
E todos os meus odores 
Vem desde quando fui parido

Nessas bandas estéreis 
Que se fingem de férteis 
Onde nem todo mundo goza
Como a maioria das moças 

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domingo, 19 de maio de 2013

Vôo

Posso parecer arredio 
Quanto me desmaterializo
Por conta do tédio 
Nas pistas que aterrizo 

Mesmo no breu 
O conhecimento é imediato
Longe de ser ateu 
Não vivo fazendo teatro 

Já que o show 
Não para nunca  
Quero alçar novos vôos 
Antes de ir para tumba 

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Pacto

Noite adentro
Me vigio 
Pra não descolar a alma

Me mantenho no centro
Longe do plágio 
E do trauma

Já que todo antro
Tem sempre o ágio 
Sem a calma

Do que compro
Pra não pagar pedágio
Onde nem tudo se salva

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sexta-feira, 17 de maio de 2013

Fracasso desejado

Hora da tal profecia
Que pichei nos muros
Da sua alma vazia
Que mergulhou em apuros 

Não precisei de santo
Emprestei meu espírito 
Pra dar um belo salto
Daquele precipício 

Tinha uma mesa
No canto uma flor
E suas falsas promessas
Sem nenhum sabor

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quinta-feira, 16 de maio de 2013

A privação do estímulo

Ferve minha cuca
Outrora fresca
Hora dessas ela caduca
A visão já se mostra fosca 

Fumaça por tudo parte
Reverbera o dúbio 
Espero que não se alastre
Como aquele distúrbio

Sonhos hipotéticos
Flagelo confirmado
Por vezes sou prático
Nem sempre amado
 
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terça-feira, 14 de maio de 2013

Linhagem II

Nessa natural lacuna
Perco-me em minhas raízes
Me consideram cafona
Por não fazer as pazes

Não abraço o capeta
Evito tapinhas nas costas
De gente que mama na teta
E vive com cara de bosta

Converso com Deus
Verso andarilho sem rumo
Sei que você não leu
Há muita falácia e pouco prumo

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segunda-feira, 13 de maio de 2013

Linhagem

Por pura soberba
Mantenho-me inacessível 
Não desfaço a tromba
Mesmo estando estável 

Sorrir pode ser austero
Afinal, nada é de graça 
Quem sabe um dia supero
O fato de não ser de raça  

Quando me despeço 
De alguém que se omite
Vejo que sou de carne e osso
A espera de um bom convite

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domingo, 5 de maio de 2013

Claustrofobia

Toda imolada ciumeira
Que vem sempre a despeito
De uma relação de terceira
Que se vangloria do coito

Com forma de cadeado
Que tranca as enumeras portas
Onde vivem os anjos caídos
Onde não há castas

Pra dar o bote como uma onça
Faz-se uma grande bagunça
Jogam-se fora as alianças
Herda-se apenas uma pinça

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sexta-feira, 3 de maio de 2013

Corrente

Aqui no velho oeste
Tudo é relativo
Mas o grau de parentesco
Mesmo que você não goste
É um incentivo

Parece um novo começo
Mas não se iluda
Com o tema dantesco
De onde me iço
Com passagem só de ida

Pra tratar com mérito
A existência dos glóbulos
Pode até parecer pitoresco
E ter algum êxito
Nos famosos rótulos

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quarta-feira, 1 de maio de 2013

Fronte

Controlo meus ânimos
Mas não corto as asas
Me faço de anônimo
Mesmo em casa

Podo partes inúteis
Aparo algumas arestas
Sei dos sentimentos retrateis
Estampados na sua testa

Renuncio aos cargos
Retiro os ornatos
Não entro no jogo
Me escaldo como gatos

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